56°DP.: Quando o gato sai, o rato faz a festa.

Dezembro 20, 2007

Nao é costume do Dr.Oliveira mas naquele sábado o plantao nao seria chefiado por ele, devido a um convite Dr.Oliveira participaria, muito a contra-gosto, de recepcao no palácio do governo a fim de homenagear o chefe de polícia parisiense. Dr.Oliveira nunca gostou dessas obrigacoes políticas que sua posicao lhe imputava, por nao estar acostumado nao possuía trajes devidos para esse tipo de recepcao, guardava no fundo do armário um velho terno, ainda do tempo do cartório, a “pobre beca”, mal lhe servia, o passar dos anos fez com que o paletó nao resguardasse mais sua barriga, mas nao poderia negar um convite do governador.

(Dr.O)_Tamarindo? Pôrra Tamarindo, para de limpar essa arma, você ainda vai matar alguém. (Tam)_Bem que eu gostaria Dr., bem que eu gostaria. (Dr.O)_Olha rapaz, hoje o plantao estará sob sua responsabilidade, vê se nao faz nenhuma merda. Você é louco para manchar o nome da minha delegacia de sangue. Nao quero problemas aqui. (Tam)_Pô Dr.Oliveira, que é isso? Nao tenho culpa se nessas celas só tem vagabundo, de vez em quando eles pedem um “corretivo”, eu nao decido bater em ninguém, sou só um instrumento da justica. Se a justica é cega e nao vê em quem bate, nao tenho culpa. (Dr.O)_Bom, preciso ir, minha viatura está pronta? Tiraram os carocos de mixirica do assoalho?(Tam)_Acabou de chegar do lava-rápido, os carocos deu para tirar, mas o cheiro…

Dr.Oliveira vai embora e Tamarindo aproveita a rara chance, senta à mesa do delegado, mete os pés sobre a mesma e liga para a pizzaria.

(Tam)_Alô? É da pizzaria? (Piz)_Pizzaria “Na rodela do tomate” boa noite! (Tam)_Boa noite? Boa noite é o “caral*%&”, eu quero uma pizza. (Piz)_Pois nao senhor, qual é o sabor? (Tam)_Que mané senhor? Doutor rapaz, doutor. Olha, me manda uma pizza de muzzarela, mas vê se nao demora, tô com uma puuut*% fome. Quanto tempo? (Piz)_Uns 20 minutos, ok? (Tam)_20 minutos porra nenhuma, você tem 10 minutos no máximo. Coitado de você se nao me entregar essa merda em 10 minutos, baixo aí e meto bala em todo mundo. Agora, tem um detalhe, se essa pizza vier com cheiro de aliche, vocês estao fudidos na minha mao, eu odeio aliche. (Piz)_Ok “dotô”, já, já chega aí.

Tamarindo espera a pizza e tudo que remete à história do Dr.Oliveira é motivo de chacota.

(Tam)_Esse velho é foda, olha essas fotos ridículas, o cara parece que se orgulha de ter trabalhado no cartório, que merda, tanta coisa boa para fazer na vida e o cara tira uma foto carimbando um documento? Mas é o fim da picada mesmo, nao sei como ainda mantém esse coitado na chefia da delegacia. Eu que tinha que comandar essa possilga, olha para esse lixo, nunca ví tanta casca de mixirica junta. Que porcaria, que sujeira.

Tamarindo nao se conforma de responder, hierárquicamente, a um antigo despachante, nao entende como ele, um cidadao da classe alta, tem que obedecer às ordens de Dr.Oliveira.

Nao há pizzaria em Sao Paulo que nao atrase a entrega, sábado à noite é sempre complicado, o Jabaquara nao seria excecao. Muito puto da vida Tamarindo liga novamente e reforca a ameaca: (Tam)_Alô! (Piz)_ Pizzaria “Na rodela do tomate” boa noite! (Tam)_Seu animal, cadê a porra da minha pizza? (Piz)_Pois nao? Quem está falando? (Tam)_Seu filho da put*$%, que mané “pois nao”, cadê a porra da minha pizza? (Piz)_É da 56? Já saiu sua pizza “dotô”, ainda nao chegou? (Tam)_Chegou porra nenhuma. Bom, só me resta esperar mesmo, estou morrendo de fome, se nao estivesse com tanta fome você iria acordar amanha com a boca cheia de formiga seu viado.

Tamarindo desliga o telefone na cara do cidadao.

(Piz)_Meu, o cara tá bravo e o pior, esqueci do pedido dele. O que será que ele pediu mesmo? Acho que tinha algo a ver com aliche. Ohh Caspessin! Caspessin! Venha aqui meu filho. O que normalmente você entrega lá na 56? (Cas)_Quase todo dia vai pizza de aliche para lá, vai mandar outra hoje? (Piz)_Entao é isso, Caspessin faz uma de aliche aí bem caprichada, enche essa merda de aliche e voa para a 56. O homem está uma fera.

Pizza feita, Caspessin pega a bicicleta e “dispara” para a delegacia.

(Cas)_Boa noite “dotô”, sua pizza. (Tam)_Porra até que enfim, meu estômago já virou do avesso duas vezes. (Cas)_Nóis capota mas num breca, “dotô”, nossa pizza pode demorar, mas num falha.

Tamarindo abre a tampa da caixa da pizza e o cheiro de aliche bate em suas narinas como um soco de Holyfield. O policial quase cai da cadeira.

(Tam)_Que merda é essa? (Cas)_É uma pizza “dotô”. Pizza esse é o “dotô”, “dotô” essa é a pizza. (Tam)_Você é cheio de graca hein? Vamos ver se você sorrí assim no “xilindró”. (Tam)_Zé!!!! Oh Zé!!!! Mete essa besta naquela cela junto com o “Zeca das Tripa”, vamos ver se amanha ele estará tao comediante assim. Que merda. Zé, cuida da delegacia que eu já volto, vou comer um pastel alí na esquina, joga essa merda de pizza no terreno baldio do outro lado da rua, nao quero nem sentir o cheiro desse aliche maldito.

Caspessin nao entendeu nada mas, naquela noite, teria que dormir com os olhos abertos e de pé. Nao havia espaco para deitar e, caso o fizesse, provavelmente nao sentaria mais por uns 3 meses. Seria uma longa noite.

Demorou, mas o domingo chegou, Tamarindo dormia com os pés sobre a mesa do delegado quando um caroco de mixirica caiu sobre sua cabeca. Dr.Oliveira, com a boca cheia de gomos de mixirica, apresentando certa dificuldade em falar, pergunta: (Dr.O)_Tamarindo? O que você está fazendo na minha mesa? Tire esse tênis de burguês daqui. Vê se pode, um agente de policia com um tênis tao caro. Seu lugar nao é aqui Tamarindo, vá tratar dos negócios do seu pai, isso aqui nao é para você. Como foi o plantao? Alguma ocorrência séria? (Tam)_Séria? Seríssima, meti na jaula um animal que trouxe minha pizza errada, ontem a noite.(Dr.O)_Você prendeu um coitado por ter errado na sua pizza ontem a noite? Você abusa da minha paciência Tamarindo. Mande trazer o rapaz aqui, quero conversar com ele.

Tamarindo busca Caspessin no “xadrez”.(Tam)_Vai lá moleque, o homem quer te ver.

Caspessin, bêbado de sono, chega para conversar com o delegado. (Dr.O) Porque você está sorrindo meu filho? Gostou de passar a noite preso? (Cas)_Nao senhor, é que eu quase escorreguei em uma casca de mixirica. (Dr.O)_Pois é, isso aqui está precisando mesmo de uma limpeza. Rapaz, nao sei lhe explicar, mas gostei de você, você me lembra um “guaxinin” que eu tinha quando crianca. Quer trabalhar aqui?

Caspessin vislumbrou, naquele momento, a oportunidade de crescimento profissional, fechou os olhos e imaginou-se dirigindo em alta velocidade uma viatura policial, viu-se com uma arma na cintura e poder voltar a Santos, poder mostrar a seu pai que tomara rumo na vida.

(Cas)_Aceito sim, aceito sim senhor. Quando receberei minha arma? (Dr.O)_Agora! Tamarindo traz o escovao e o balde para o rapaz, ele será o responsável pela limpeza do local, de hoje em diante o senhor exercerá uma funcao de extrema importância, nao quero ver um palito de dente e nenhuma casca de fruta largada no chao. Tamarindo entrega-lhe seu material de trabalho, olha bem no fundo dos olhos de Caspessin e diz: (Tam)_Hoje comeca o inferno na sua vida, ficarei no seu calcanhar, serei sua sombra, prepare-se.

Caspessin comeca sua carreira na polícia, nao como imaginou, mas o que importa é que seu trabalho é cuidar da limpeza da “área”, assim como qualquer policial. Sua relacao com Tamarindo nao será fácil, mas quem disse que a vida é fácil?


“Tamarindo”, um playboy na policia civil.

Dezembro 17, 2007

071221_1425471.jpg

Há quem diga que na cidade de Pirassununga nao há figura igual, amado por uns, odiado por outros. Filho de importante usineiro da regiao nao conheceu o sentido da palavra “LIMITE”. Acreditava que o dinheiro fosse capaz de comprar tudo, desde um simples brinquedo até a dignidade das pessoas, ledo engano, certa feita, após uma briga em um bar, ofendeu um policial e recebeu “ordem de prisao”, achou que tratava-se de mais um policial corrupto, tentou suborná-lo, conheceu a forca que o poder dá às autoridades. Marinho Carbone e Placca, o “Tamarindo”, recebeu o apelido de seus inimigos. Tamarindo é um fruto muito ácido, de gosto desagradável, daí a relacao entre o fruto e Marinho, ele, por sua vez, gostou do apelido com que fez fama. Seu pai, homem justo, imaginava passar a seu filho o controle de seu império, mas Tamarindo nao queria essa vida, queria viver na farra, nunca pensou em trabalho.

Sua prisao durou dois dias, seu pai magoado com sua atitude nao moveu palha para livrá-lo, durante esse período alimentou o sonho de também ser autoridade, já imaginava andar pelas noites de Pirassununga com uma arma na cintura e abusando do poder constituido. Após muita discussao convenceu seu pai que nao seria a pessoa ideal para cuidar dos negócios da família, pediu entao que fizesse valer sua influência e assim fazer parte do corpo de investigadores da Polícia Civil do Estado de Sao Paulo, isso pois sabia que nao teria capacidade de ingressar pelos caminhos tradicionais, o concurso. Mesmo contra sua vontade, seu pai com apenas uma ligacao, conseguiu do governador o acesso à seu filho na polícia. Por alguns meses Tamarindo esteve no grupo de investigadores da 3°Delegacia da cidade de Pirassununga, pediu transferência para Sao Paulo quando soube, que a mando de seu pai, o delegado titular nao deveria enviar Tamarindo a nenhuma diligência de risco. A transferência saiu, imagina-se que, alguém do alto escalao da Polícia Civil, pretendia dar um corretivo ao playboy, sua transferência lhe enviou para trabalhar sob às ordens do mais temido delegado de Sao Paulo, Dr.Oliveira, responsável pela 56°DP. Homem conhecido por sua rigidez e pouca paciência com desvios de caráter.

Quando Tamarindo apresentou-se ao novo posto sua história já se fazia conhecida pelo Dr.Oliveira e, como era de costume, o delegado já demonstra as “normas da casa”. Tamarindo entendeu que nao bastaria ter uma arma na cintura, o verdadeiro dono da autoridade é o delegado e, sendo assim, já almeja o posto. O controle da delegacia seria dele, cedo ou tarde obteria sucesso em sua empreitada, nao descansaria enquanto nao derrubasse Oliveira.

Existe algo que acompanha os covardes, a traicao, à frente de Dr.Oliveira, Tamarindo era um doce de pessoa, amigo para todas as horas, por suas costas trabalhava para sua aposentadoria precoce.

Dr.Oliveira nao confiava em Tamarindo mas nao trazia consigo a malícia necessária para sua defesa. A sorte do delegado estava nas maos do destino, ninguém faz idéia do que uma pessoa como Tamarindo é capaz. O que acontecerá? Deixemos a cargo do destino.


Caspessin

Dezembro 14, 2007

071221_142517.jpg

Maicou Carlos Caspessin dos Santos,  mistura do sangue francês com paraibano.Sua mae, estudante francesa perseguida pelo Estado, após conhecido quebra-quebra no centro de Paris em 68 fugiu para o Brasil, de forma clandestina, em um navio de carga.Seu pai, estivador comum do porto de Santos, mais um migrante do sertao nordestino que encontrou alento e trabalho nas praias paulistas, encontraram-se, como na maioria dos  acasos da vida, quando Marie Louisé Caspessin, ardendo em febre, suplicou ajuda. Josafá Mattos dos Santos largou a caixa que carregava em sua cabeca e prestou-lhe ajuda. Josafá, com Marie em seus bracos, levou-a até seu carro e digiriu-se a Casa de Misericórida de Santos. Foi uma luta, mas a moca restabeleu sua saúde, conseguiu asilo político e casou-se com Josafá.Depois de alguns anos veio o rebento, esperava-se um menino com a beleza e inteligência da mae e a forca física do pai, mas na vida, infelizmente, as coisas nem sempre sao como a gente espera.Viviam em um bairro pobre, na periferia de Santos, apesar das dificuldades sua mae acreditava em um futuro melhor para seu filho, mas o menino nao ajudava, nao por sua culpa pois era assíduo na escola, mas a heranca de seu pai lhe carregava à distância do saber. Seu destino estava tracado. De sua mae só herdou o nome e o gosto pela anarquia. Aqueles que viviam ao seu redor acreditavam que o menino nao chegaria à maioridade, ora pela falta de saúde, ora pelas seguidas detencoes provenientes de brigas, pequenos delitos e envolvimento com drogas.Chegou o dia, contra todas as previsoes a maioridade chegou, mas o que deveria ser festa, foi tragédia. Seu pai, cansado dos problemas causados pelo filho, mostrou-lhe a porta de saída e deu à Caspessin a dura realidade da vida.Caspessin era muito conhecido na cidade de Santos, tanto a polícia como os bandidos o conheciam, entendeu portanto que ali nao poderia permanecer, foi a estacao rodoviária e comprou um bilhete para a capital, resolveu tentar a vida na cidade grande.Chega a Sao Paulo, Estacao Rodoviária do Jabaquara, do outro lado da rua uma pizzaria pequena, dessas que nao atendem no local e apenas entregam em domicílio, atravessou a rua e contou sua história, seu Josivaldo, o proprietário, com pena oferece ao rapaz o emprego de entregador e um quarto para acomodar-se. Caspessin aceita a proposta, a vida lhe dá nova chance.


Dr.Oliveira

Dezembro 10, 2007

071221_1426072.jpg

Nasceu pobre, menino franzino com sérios problemas de adaptacao. Conhecido no bairro de Sao Miguel como o filho cacula do Seu Adamastor.  Adamastor da venda, um pobre homem que criou os sete filhos sozinho pois, deixado pela mulher que fugiu com um mercador, manteve sempre a esperanca da volta. 

Dagoberto dos Reis Oliveira, nome pomposo para uma crianca humilde e triste, crianca cansada de tanta moléstia que sofria, tanto de seu pai quanto dos meninos do bairro. Sonhou um dia com sua mae, fato estranho pois nao a conheceu, dizendo a ele que deveria lutar muito, deveria trabalhar cedo e acostumar-se a nao depender de ninguém. Acreditava entao que sua mae já nao mais vivia e, seu espírito, cuidaria de seus passos. Sobre isso ninguém sabe informar pois nunca mais ouviu-se falar de seu paradeiro, de qualquer forma isso deu a Dagoberto a forca que necessitava para a luta que estava por vir.

Com 16 anos conseguiu um emprego em um cartório no centro da cidade, com muita luta trabalhava durante o dia e, após três conducoes, chegava à escola para tentar dias melhores. Fez carreira no cartório, era o melhor carimbador e reconhecedor de firmas que por alí passou, cresceu dentro do negócio e, ao completar 37 anos, gozava de posicao invejável, assim como um velho capataz sua funcao resumia-se em coordenar todos os funcionários do cartório. Sua funcao lhe permitia utilizar a mesa mais cobicada do setor, mesa grande situada no fundo do salao. Com a mordomia Dagoberto criou certos hábitos que marcaram sua imagem, passava o dia comendo “mixirica” e dando ordens, cuspia os carocos em uma lixeira situada a esquerda de sua mesa, volta e meia errava o alvo, durante a noite encomendava por telefone uma grande pizza de aliche. Esse era o seu vício, quase toda noite fazia a mesma encomenda, o dono da pizzaria, por vezes, mandava a pizza sem mesmo esperar a ligacao. Esse estilo de vida fez com que Dagoberto criasse uma barriga que chamava a atencao. Mas Dagoberto queria mais e, por isso, fez um curso de direito por correspondência. Foi o primeiro aluno da turma. Acreditou em sua potencialidade e, ao prestar o concurso da polícia civil, alcancou seu maior sonho, deixou seu bigode crescer e assumiu a cadeira de Delegado Titular da 56°Delegacia de Polícia. Nao seria mais chacote de ninguém, agora é uma “autoridade”. Delegado respeitado e temido no bairro do Jabaquara, sua palavra é lei, sua arma impoe respeito.


Para quem nao acreditava.

Dezembro 3, 2007

Taí, para quem nao acreditava, aconteceu. Ouviu-se várias versoes para a impossibilidade da queda, jamais a Rede Globo permitiria, ninguém é louco de derrubar um time com uma torcida tao grande, o prejuízo seria muito grande. Pois é meus amigos, aconteceu, fico feliz por duas coisas, a primeira é óbvia e a segunda é que o campeonato está sério. Isso é muito bom para o futebol brasileiro. Precisamos ver o reflexo dessa seriedade na selecao brasileira também.


Namoro antigo

Dezembro 3, 2007

Namoro antigo é assim, depois de muito tempo sai casamento, pois é foi isso que ocorreu no campeonato brasileiro de 2007, o Corínthians, depois de muitos anos namorando a segunda divisao e depois de uma disputa acirrada com o Goiás, sagrou-se o casamento entre a segunda divisao e o Corínthians. Se estou feliz com isso? Melhor nao comentar. O que realmente interessa saber é que dirigentes e jogadores trilharam esse caminho. Nada mais justo, que dure e sejam felizes para sempre.