O japonês e a sopa de cebola.

Nao me lembro exatamente como tudo aconteceu, mas a 33 anos atrás, mais precisamente no início do ano letivo de 1975, estávamos no pré-primário, período escolar onde inicia-se o aprendizado da escrita e leitura. Conforme solicitacao da “Tia”, assim chamávamos as professoras, deveríamos todos colocar nossos cadernos, encapados com celofane vermelho, sobre a mesa, assim foi feito, um a um, caderno sobre caderno, tudo ocorria dentro da maior normalidade quando um japonês resolveu levantar de sua cadeira, caminhar à “torre de cadernos” e deixar o seu, nao contente com o feito resolve vomitar sobre a chamada “torre” toda a sopa que sua mae lhe fez ingerir horas antes. Cabe algumas reflexoes sobre essa questao:

1) Quem era esse japonês? Nunca soube seu nome e jamais soube de seu paradeiro. Vale lembrar o contexto histórico que vivíamos. Víviamos em plena ditadura militar, o presidente do Brasil chamava-se Ernesto Geisel, quando pequeno, para mim, ele era apenas um bom velhinho, posteriormente soube que, de bom velhinho, ele nao tinha nada. Será que aquele japonês foi preso pelo regime? Será que aquele menino era comunista? Será que realmente ele era japonês? Sim, pois se até hoje nao sei dizer se um japonês é coreano ou chinês, como saberia na época? Dizem que tem muito japonês na china e que nunca se viu tanto chinês no Japao, para mim é tudo a mesma coisa. Bom, voltando ao assunto, o que será que aconteceu com aquele japonês?

2) Naquele período estudávamos à tarde, sendo assim entrávamos na escola logo após o almoco, qual é a razao do infeliz ter almocado sopa de cebola? O correto nao seria tomar sopa no jantar? Estávamos em pleno verao, porque da sopa? Nao consta nos autos do processo que tal remelento oriental possuía alguma doenca, será entao que tudo foi intencional? Nascia aí a figura do “homem bomba”? Acredito, realmente, que esse menino e sua família foram precursores da legiao de homens bomba que temos acerca da Faixa de Gaza. Me parece que existem fotos suas em todas as casas palestinas, é adorado, é, praticamente, um Deus.

3) Porque ninguém sabia o nome dele? Porque ele fez questao absoluta de passar despercebido? Conhecíamos todos, sabíamos o nome de todos, naquele momento já tínhamos um apelido para cada um naquela sala, mas porque o japonês nao foi “abatido” antes de conseguir seu feito? Isso mostra que nosso sistema de seguranca nacional da escola estava com problemas sérios, talvez seja por isso que a escola foi demolida.

Bom, peco ajuda à comunidade, para tentarmos entender de onde veio e para onde foi o tal “japonês da sopa de cebola”, pois o meu caderno e meus deveres eu sei onde foi parar, no varal para secar e deixar cair toda aquela cebolada.

Uma resposta para “O japonês e a sopa de cebola.”

  1. Renata Disse:

    Japonês esperto!!!!!!!!! Manteve sua “identidade” oculta, para evitar que as gozações referentes a este triste fato o perseguissem. Se você lembrasse do nome dele, com certeza já teria uma “comunidade” para o coitado.
    Você sabe que, ao ler a sua história, me lembrei de um passeio ao Zoológico, com a escola (Estadual). Na volta, todos os alunos nos ônibus (na época era CMTC), e um dos meninos passou mal (diarréia). Coitado, estava com a camiseta da escola, calça verde, na qual transparecia todo o seu feito…. O nome dele é M…… Guerreiro…….. Essa “guerra” ele perdeu!!!!!!!

    bjs

    obs.: Concordo com um dos seus amigos, não deixe de escrever…….. suas histórias são ótimas.

Deixe uma resposta