_Dr.Oliveira! Chamada do palácio…

Setembro 4, 2008

(Tam):_Dr.Oliveira! Chamada do palácio, é a secretária do governador.

(Dr.O):_Alô?Pois nao, eu aguardo.

(Dr.O):_Caspessin!!! Caspessin!!! Por favor meu filho, lave essas mixiricas, precisarei delas mais tarde, hoje é dia de plantao.

(Dr.O):_Bom dia governador, o que manda chefe? Ah, o senhor vai sair de férias? Que bom. Como? Quer que eu lhe faca a seguranca? Sério? Mas quem cuidará da minha regiao? Nao, o Praxedes? Da delegacia de Sao Caetano? Por favor governador, assim o senhor acaba com minha reputacao, o Praxedes nao consegue nem cuidar da regiao dele, vai fazer da minha uma bagunca. Ah é? Nao tenho opcao? Bom, se o senhor está dizendo…

Terminada a conversa, Dr.Oliveira desliga o telefone, senta em sua cadeira, olha para o nada e fica pensativo. ( PENSAMENTO ) E agora? Terei que deixar minha delegacia na mao daquele maluco do Praxedes, todo o meu trabalho de anos será jogado no esgoto, mas fazer o quê? Ordens sao ordens.

(Dr.O)_Tamarindo!!! Caspessin!!! Quero os dois aqui e agora.

Tamarindo estava em sua mesa, com os pés sobre a mesma, foleando uma revista especializada em armas de fogo, ao ouvir o chamado da lei, diz:

(Tam)_Conheco o passarinho pela cagada. Fala chefe, o que manda?

(Dr.O)_Venha aqui e me traga o menino.

Dr.Oliveira se apessoou muito à Caspessin, tinha-o como um filho, já que o destino cuidou de nao dar-lhe filhos, tomou-o como tal, cuidava dele como um pai e sofria com as enrascadas que se metia. Chamava-o pela alcunha “Menino” e isso fazia com que a raiva de Tamarindo sobre o “Menino” aumentasse a cada dia.

(Tam)_Caspessin? Oh vagabundo!!! Cadê você animal?

Tamarindo procura Caspessin por todo o pátio da delegacia, quando vai à cozinha o encontra encochando Shirley Maria, faxineira da delegacia, coincidentemente mulher de um detento. Tamarindo dá-lhe um tapao na cabeca e diz: ( Tam )_Pôrra Caspessin, cê tá louco moleque? Se o marido dela sabe disso, cê tá fudido, vamô logo que o Dr.Oliveira está nervoso.

(Cas)_O que ele quer? Eu já lavei as mixiricas, o que ele mais quer de mim?

(Tam)_Sei lá!!!! Oh menina! Arruma essa roupa e vá trabalhar!!!Esse negócio ainda vai dar merda.

Após apresentacao à frente do doutor os dois recebem a notícia:

( Dr.O )_Tamarindo e Caspessin acabo de receber uma missao muito importante e vocês vao me acompanhar, vamos fazer a seguranca pessoal do governador e sua família, eles vao sair de férias.

(Tam)_Mas a seguranca do governador nao é responsabilidade da polícia militar?

(Dr.O)_Seria Tamarindo,  acontece que o “homem” só confia na gente, portanto meu amigo “Missao dada é missao comprida”.

(Casp)_Ôpa! A filha do governador é uma gost…

Antes que Caspessin termine a frase doutor Oliveira se levanta, olha bem para o “menino” e diz:

(Dr.O)_Caspessin, preste muita atencao para o que vou lhe dizer, preste muita atencao mesmo pois nao quero ter que dizer isso novamente. Nao seja louco de se meter com a filha do governador, se isso ocorrer eu lhe capo, entendeu? Eu, pessoalmente, lhe capo.

Caspessin ficou mudo, nem piscava os olhos, neste momento sentiu-se no ambiente um forte odor, Tamarindo olha para Caspessin e diz: ( Tam )_Pôrra Caspessin, cagou nas calcas?

Nao consta nos anais da delegacia que em algum dia Dr.Oliveira teria sido tao duro com Caspessin, devido a isso o menino cagou nas calcas.

Chega o trágico dia, em frente a delegacia encosta um carro, modelo importado, de onde sai Praxedes, o delegado que irá “render” Dr.Oliveira, de forma momentânea de seu posto. O homem sobe a escadaria, passa por Caspessin que nao entende nada, passa por Tamarindo, abre a porta que leva à sala de Oliveira e às celas, quando imaginava-se que o cidadao seguiria para a sala do delegado, toma outro rumo e entre na área das celas.

( Prax )_Vamos acordar seus vagabundos!!!! Assim grita Praxedes.

( Prax )_Agora, aqui no Jabaquara, quem manda é o papai aqui, quem quiser regalias vai ter que abrir os bolsos.

O recado da corrupcao estava dado, mas o que o Praxedes nao sabia é que Caspessin o havia seguido e o havia ouvido.

Praxedes volta a tomar o rumo do sala do delegado, entra na mesma e encontra-se com o dono da cadeira.

(Prax)_Bom dia, Oliveira!

(Dr.O)_Bom dia para quem?

Neste momento os dois caminham em rota de colisao, parecia aqueles duelos do velho oeste americano, param um a frente do outro, o silêncio permanece por alguns instantes, o ódio impera nos olhares de ambos quando o silêncio é quebrado pela entrada de Caspessin na sala.

(Casp)_Dr.Oliveira! Dr.Oliveira! Preciso lhe contar sobre…

(Dr.O)_Agora nao garoto, agora nao.

(Casp)_Mas doutor, eu ví…

(Dr.O)_Já disse que agora nao, depois conversamos, feche esse porta e nao deixe entrar mais ninguém.

Ninguém sabe, exatamente, o que Caspessin contaria, tudo indica que seria um relato do que ouviu das celas, mas…

(Dr.O)_Praxedes, preste muita atencao no que vou lhe dizer, passei anos da minha vida buscando fazer do bairro do Jabaquara um lugar de gente decente, um lugar limpo, um lugar respeitado. Entenda que isso aqui nao é sua jurisdicao, você estará aqui temporariamente. Nao faca da minha o lixo que é a sua. Passarei apenas 10 dias fora, portanto muito cuidado, conheco muito bem sua clientela.

Praxedes olha para o lado, abre um sorriso irônico e diz:

(Prax)_Oliveira nao se preocupe, vou transformar esse seu pedaco sem graca de Sao Paulo em um lugar muito mais animado, você nem vai reconhecer quando voltar. Se é que vai voltar.

Dr.Oliveira, por pouco, nao joga fora toda a sua história de homem respeitador das leis, coloca a mao em seu “coldre” de legítimo couro argentino e, por quase nada, nao sacou de seu 38. Como muita raiva diz:

(Dr.O)_Você está me ameacando Praxedes? Você preparou alguma para mim? Saiba que eu vou voltar e saiba que um dia termino com sua raca, ainda lhe mandarei ao cárcere. Agora saia da minha frente que eu preciso exercer meu trabalho.

Praxedes, sem dizer uma única palavra, abre caminho para o delegado sair.

Dr.Oliveira, Tamarindo e Caspessin entram na viatura, ligam o giroflex e , antes de sair, Dr.Oliveira diz para Tamarindo: (Dr.O)_Tamarindo, algo me diz que teremos muito trabalho ao voltar. Caspessin, vamos embora garoto, o governador nos espera.

Cantando pneus a velha viatura de Dr.Oliveira segue rumo ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

A viatura ainda era vista,  no final da rua, quando um Opala ano 78, de vidros filmados, sem placas encosta na frente da delegacia, ao abrir as portas sente-se no ar um forte cheiro de maconha, descem 4 pessoas, com caras nada amigáveis e adentram a chefatura.


Noitada (in)feliz de Caspessin.

Janeiro 16, 2008

Domingo pela manha, delegacia cheia, depois de longo e movimentado plantao Dr.Oliveira, antes de ir para sua casa, ouve triste uivo proveniente do canil. A 56°DP possui um canil com dois pastores alemaes treinados, já meio velhos, estao mais para aposentadoria à início de carreira, mas o carinho de Dr.Oliveira com os bichos é algo bonito de se ver. ( Dr.O )_Caspessin!_Caspessin!_Onde está esse moleque?_Quando nao precisa, nao larga do meu pé, quando preciso, cadê o infeliz?_Tamarindo!_Tamarindo!

( Tam )_Sim doutor, ainda nao foi para casa? ( Dr.O )_Tamarindo, cadê o Caspessin? ( Tam )_Ora doutor, nao está dormindo no canil?( Dr.O )_No canil?_Como assim? ( Tam )_Dr.Oliveira, desde que prendemos aqueles vagabundos do bar de Diadema, na semana passada, a cela que o Caspessin dormia foi requisitada e sendo assim nao encontrei lugar melhor para o infeliz dormir que nao fosse o canil. ( Dr.O )_Tamarindo, preste atencao, mas preste muita atencao pois nao quero ter que repetir isso, NAO QUERO NINGUÉM INCOMODANDO MEUS BICHINHOS. Você entendeu? NINGUÉM. ( Tam )_Fique tranquilo doutor, quando Caspessin chegar eu declaro o novo despejo. ( Tam )_Mas onde será que esse “animal” se meteu? Que estranho.

Voltando no tempo…

( Casp )_Caraca!!!! Sabadao!!!! Que o doutor nao me ouca, mas arrumei uma carteira da polícia civil, hoje vou dar “carteirada” em tudo que é boate. Hoje vou me acabar. Arrumei aquela viatura velha que estava no fundo da delegacia, vou passar na casa do “Gordurex” e do “Izônho”, vamo “machucá” umas mina por aí.

No fundo da delegacia havia um corcel I, o carro estava encostado havia 10 anos, com muita paciência e gasolina roubada das outras viaturas, Caspessin conseguiu fazer aquele “museu” andar novamente. Passou um “gelzinho” no cabelo e toca para a casa do Gordurex, ao chegar liga o giroflex e a sirene, foi neguinho pulando o muro, saindo correndo, vários desesperados. Caspessin ficou sentado no capô por pelo menos 20 minutos esperando a volta dos assustados. ( Gor )_Porra vélhinho, cê tá louco? Quer me matar de susto? ( Izô )_Caraca véio, acho que borrei as calcas, vou ter que tomar outro banho. ( Casp )_Bom galera, vamos nessa que a noite nos espera, o “Homem da limpeza” vai detonar nessa noite. Com alguns estouros o velho Corcel I toma o rumo da “balada”.

Rua Nestor Guestana, “Boca do lixo paulistana”, viatura parada em fila dupla, giroflex ligado, Caspessin desce botando banca, ninguém sabe, mas a arma que o indivíduo faz questao de mostrar em sua cintura é um brinquedo chinês, bem sem vergonha. Pára na porta da boate “Guilt”, apresenta muito rapidamente suas credenciais de polícia, entra e pede passagem, em seus calcanhares seguem Gordurex e Izônho, a noite será uma festa.

Sentam na melhor mesa e logo duas “anjinhas” sentam em seu colo. Caspessin, com toda sutileza diz ( Casp )_Caraca!!!! Esse negócio de polícia é bom mesmo. Muita bebida, muita mulher.

Caspessin demorou a perceber mas ao seu lado, no centro da pista, rolava um showzinho, sexo ao vivo, o “polícia” fica maluco ( Casp )_Noooosssssaaaaa!!!! Olha o caral#$% desse cara!!!!! Olha a bunda dessa mina!!!!!! Que lugar é esse? Que paraíso. Ohhh tiozinho, desce mais uma cerva aí, bota na conta do Dr.Oliveira…

Ao dizer as últimas palavras o som da boate desligou, o casal que transava na pista levantou-se rapidinho e, ao vestir-se, correu para trás do palco. O barman abaixou-se, todas as meninas sumiram, a luz acendeu e o gerente da casa veio falar. ( Ger )_Senhor, me desculpe, mas a casa fecha agora. ( Casp )_Como assim? Nao passa das duas horas da manha, nunca ví uma casa dessas fechar a essa hora? ( Ger )_Infelizmente o senhor está enganado, trata-se de uma casa de família, fechamos cedo, afinal as meninas precisam acordar cedo para a missa.

O que Caspessin nao entendeu é que, ao mencionar o nome de Dr.Oliveira, gentália treme, boca do lixo fecha e a lei pede passagem. Acabou a noite, Gordurex, que já havia sumido, desce as escadas, Izônho, atrás de algumas almofadas, bêbado como um gambá, pede em casamento uma mulher que nao está mais alí. ( Casp )_Vamô embora galera, acho que falei demais.

Os três entram na viatura, a maldita nao quer pegar de jeito nenhum, Gordurex e Izônho descem para empurrar, depois de uma explosao de motor cansado e uma fumaceira danada o carro pega, Caspessin estava tao bêbado que nem lembra dos amigos e sai cantando pneu. Caspessin some na escuridao à frente da forte e mal cheirosa fumaca. Ninguém sabe para onde vai.

Voltando ao presente…

( Dr.O )_Tamarindo!!! Alguma notícia do garoto? ( Tam )_Nao doutor, gracas a Deus nenhuma.

De repente um grande barulho, Tamarindo saca de sua arma e corre para a frente da delegacia, ao chegar encontra um carro envolvido com o que sobrou da viatura principal da delegacia, a viatura do Dr.Oliveira. Trata-se do velho Corcel I, totalmente destruído, mas pela sorte ou pelo azar Caspessin, cambaleando de bêbado, cuspido do carro, levanta-se do chao, olha para Tamarindo e diz: ( Casp )_Bom dia Tamarindo. ( Tam )_Bom dia? Para quem? Olha o que você fez com o carro do doutor. ( Casp )_Xiii, agora fudeu.

Dr.Oliveira, que ainda estava presente, sai da delegacia chamando por Tamarindo ( Dr.O )_Tamarindo? Já encontrou o garoto? ( Tam )_Já doutor, já encontramos “O GAROTO”.

Dr.Oliveira, após descer o último degrau da entrada, percebe que aquele monte de ferro-velho tratava-se de sua viatura. Aos poucos vai perdendo suas forcas, senta na escadaria, cospe o gomo da mixirica e engole o caroco ( Dr.O )_MEUUUUU DEUUUUSSS!!!

Dr.Oliveira pede ajuda de Tamarindo, levanta-se, olha para Caspessin e diz: ( Dr.O )_O que faco com você meu garoto? Como você pretende pagar por isso meu filho?

Tamarindo ria por dentro, desta vez o tao protegido do delegado estava ferrado, Caspessin nao escapará dessas, mas supreendendo a todos e deixando Tamarindo muito “P” da vida Dr.Oliveira bota a mao na cabeca de Caspessin e diz: ( Dr.O )_Garoto, você terá que pagar por tudo isso aí, mas sei que com seu salário nao terá como fazê-lo, solicitarei, junto ao governador, sua promocao, quero você do meu lado, nao tirarei o olho de você, à partir de hoje você cuidará e dirigirá minha viatura, à partir de hoje você será um policial civil.

Tamarindo nao entendeu nada, seus olhos queimavam de tanta raiva, mas a vida de Caspessin, que já nao era fácil, ficará um pouco mais complicada à partir de agora, Tamarindo se encarregará disto.


56°DP.: Aux amis tout, aux ennemis la loi.

Janeiro 9, 2008

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Noite úmida, forte sereno cai sobre a noite de Diadema, poucos vagabundos persistem e por isso o bar ainda nao fechou, ao fundo, atrás do velho balcao dois irmaos servem cachacas baratas e pastéis gordurosos. De fronte ao bar, um velho rio mal cheiroso, margeado por mato alto, em uma rua sem saída. Já passa das onze, pela lei o estabelecimento deveria estar fechado, mas os proprietários nao respeitam o que os jornais chamam de lei. Chico Sardinha, um conhecido vagabundo da regiao, assíduo frequentador do bar e das penitenciárias locais, percebe que algo de estranho estava por acontecer. Levanta-se de sua cadeira, bate no balcao, pede mais uma cachaca, o primeiro gole vai para o santo, o segundo em virada única, derrama sobre a goela, tao ardente líquido. Caminha para a rua cuspindo no chao e exaltando seus feitos, como a vez que matou dois policiais em uma fuga da penitenciária de Araraquara.

Chegando ao fim da calcada, beirando a rua de terra batida, Chico Sardinha resmunga:(CS)_Nao estou enxergando direito, mas vem algum idiota para cá.

A bandidagem alí presente ficou exaltada, Chico Sardinha enxergava direito, realmente se via ao longe um carro, como estava com os faróis apagados nao se distinguia bem quem era, mas pela poeira que levantava chegaria rápido.

Com menos de 100 metros do local acendeu os faróis e ligou o giroflex, nao se sabe ao certo mas pelo menos dois pularam no rio, Chico Sardinha era um deles.

Fusca com as bordas negras, capô e teto brancos, abre-se a porta e a justica se faz presente, atrás do balcao um dos dois irmaos grita:(Irmao1)_Dr.Oliveira? Fudeu!Tâmo fudido! O homem desce do carro, saca sua 45 prateada do coldre, sob as áxilas, e a guarda em sua cintura. O silêncio impera no local, Dr.Oliveira encosta no balcao, dá uma porrada e pergunta:(Dr.O)_Posso saber o motivo para esta beleza de estabelecimento ainda estar com as portas no alto? Neste momento nem grilo, no mato, grilava. Ninguém percebeu mas logo atrás do Dr.Oliveira vinha Tamarindo, com sede de sangue. O cara deu-lhe um tapa na cara do primeiro vagabundo que encontrou que, até último boletim, mantinha coma profundo tendendo a morte cerebral.(Tam)_Porque essa merda ainda nao fechou? Cadê o vagabundo do Chico Sardinha? Julinho um dos dois irmaos proprietários do estabelecimento, atrás do balcao respondeu (Jul)_Nao conheco essa figura nao, senhor. Tamarindo pulou para trás do balcao, com a doze que trazia na mao deu-lhe uma cacetada, Julinho caiu para trás e perdeu três dentes, teria perdido mais, caso os tivesse. Gelinho, o outro irmao, disse ( Gel )_Fugiu para o mato senhor, fugiu para o mato. Dr.Oliveira, homem sereno e fiel às leis, pediu a Tamarindo ( Dr.O )_Pôrra Tamarindo, desta maneira o distrito vai ter que contratar um protético dentário, já é o quarto à perder os dentes, só essa semana. O que adianta a companhia de águas colocar tanto flúor nos reservatórios, se você nao deixa ninguém com os dentes na boca?(Tam)_Desculpa Dr.Oliveira, é a adrenalina, tô louco para furar um, hoje, tô louco.( Dr.O )_Calma meu jovem, nao se empolga nao.

Dr.Oliveira comeca a olhar por sua volta, mira nos olhos de todos os vagabundos que ali estavam, nao havia viva alma que ousasse enfrentar o olhar, atrás dos famosos óculos “Cacador” de Dr.Oliveira, tira uma mixirica do bolso, volta-se ao rapaz do balcao e diz:( Dr.O )_”Aux amis tout, aux ennemis la loi”. Gelinho, suando frio e nao entendendo nada, pergunta à Tamarindo ( Gel )_O que ele disse? Tamarindo entao dá-lhe um tapa e responde ( Tam )_Nao faco idéia vagabundo, essa merda é francês. Dr.Oliveira, desde que esteve em jantar oferecido ao chefe de polícia parisiente, apropriou-se desta frase utilizada pelo francês que quer dizer: Aos amigos tudo, aos inimigos a lei.

Dr.Oliveira procurava Chico Sardinha, soube por informantes da baixada santista, que o mesmo está à procura de Caspessin, resquícios dos velhos tempos, Tamarindo, depois de quase quebrar o bar inteiro diz ( Tam )_O meliante se evadiu doutor, posso mandar esses vagabundos abracar o capeta? ( Dr.O )_Calma meu jovem, nao se empolga.

Dr.Oliveira, após mastigar quatro gomos de sua mixirica, pede a Tamarindo que chame o camburao ( Dr.O )_Tamarindo, chame o “Brucutú”, vamos fechar esse lixo e levar todos esses vagabundos para o “chilindró”. Essa porcaria está um nojo, tanta casca de mixirica no chao.  Brucutú à porta, bar lacrado e vagabundos presos e, assim como chegou, as viaturas vao embora, silenciosas e com faróis apagados. Sob a escuridao da noite um vulto sai do mato, alí estava Chico Sardinha, molhado e fétido, roga entao sua praga ( CS )_Caspessin, cê tá fudido na minha mao, cê tá fudido.

O perigoso meliante segue, caminha, até sumir novamente no mato, o silêncio e a escuridao tomam conta do local.


56°DP.: Quando o gato sai, o rato faz a festa.

Dezembro 20, 2007

Nao é costume do Dr.Oliveira mas naquele sábado o plantao nao seria chefiado por ele, devido a um convite Dr.Oliveira participaria, muito a contra-gosto, de recepcao no palácio do governo a fim de homenagear o chefe de polícia parisiense. Dr.Oliveira nunca gostou dessas obrigacoes políticas que sua posicao lhe imputava, por nao estar acostumado nao possuía trajes devidos para esse tipo de recepcao, guardava no fundo do armário um velho terno, ainda do tempo do cartório, a “pobre beca”, mal lhe servia, o passar dos anos fez com que o paletó nao resguardasse mais sua barriga, mas nao poderia negar um convite do governador.

(Dr.O)_Tamarindo? Pôrra Tamarindo, para de limpar essa arma, você ainda vai matar alguém. (Tam)_Bem que eu gostaria Dr., bem que eu gostaria. (Dr.O)_Olha rapaz, hoje o plantao estará sob sua responsabilidade, vê se nao faz nenhuma merda. Você é louco para manchar o nome da minha delegacia de sangue. Nao quero problemas aqui. (Tam)_Pô Dr.Oliveira, que é isso? Nao tenho culpa se nessas celas só tem vagabundo, de vez em quando eles pedem um “corretivo”, eu nao decido bater em ninguém, sou só um instrumento da justica. Se a justica é cega e nao vê em quem bate, nao tenho culpa. (Dr.O)_Bom, preciso ir, minha viatura está pronta? Tiraram os carocos de mixirica do assoalho?(Tam)_Acabou de chegar do lava-rápido, os carocos deu para tirar, mas o cheiro…

Dr.Oliveira vai embora e Tamarindo aproveita a rara chance, senta à mesa do delegado, mete os pés sobre a mesma e liga para a pizzaria.

(Tam)_Alô? É da pizzaria? (Piz)_Pizzaria “Na rodela do tomate” boa noite! (Tam)_Boa noite? Boa noite é o “caral*%&”, eu quero uma pizza. (Piz)_Pois nao senhor, qual é o sabor? (Tam)_Que mané senhor? Doutor rapaz, doutor. Olha, me manda uma pizza de muzzarela, mas vê se nao demora, tô com uma puuut*% fome. Quanto tempo? (Piz)_Uns 20 minutos, ok? (Tam)_20 minutos porra nenhuma, você tem 10 minutos no máximo. Coitado de você se nao me entregar essa merda em 10 minutos, baixo aí e meto bala em todo mundo. Agora, tem um detalhe, se essa pizza vier com cheiro de aliche, vocês estao fudidos na minha mao, eu odeio aliche. (Piz)_Ok “dotô”, já, já chega aí.

Tamarindo espera a pizza e tudo que remete à história do Dr.Oliveira é motivo de chacota.

(Tam)_Esse velho é foda, olha essas fotos ridículas, o cara parece que se orgulha de ter trabalhado no cartório, que merda, tanta coisa boa para fazer na vida e o cara tira uma foto carimbando um documento? Mas é o fim da picada mesmo, nao sei como ainda mantém esse coitado na chefia da delegacia. Eu que tinha que comandar essa possilga, olha para esse lixo, nunca ví tanta casca de mixirica junta. Que porcaria, que sujeira.

Tamarindo nao se conforma de responder, hierárquicamente, a um antigo despachante, nao entende como ele, um cidadao da classe alta, tem que obedecer às ordens de Dr.Oliveira.

Nao há pizzaria em Sao Paulo que nao atrase a entrega, sábado à noite é sempre complicado, o Jabaquara nao seria excecao. Muito puto da vida Tamarindo liga novamente e reforca a ameaca: (Tam)_Alô! (Piz)_ Pizzaria “Na rodela do tomate” boa noite! (Tam)_Seu animal, cadê a porra da minha pizza? (Piz)_Pois nao? Quem está falando? (Tam)_Seu filho da put*$%, que mané “pois nao”, cadê a porra da minha pizza? (Piz)_É da 56? Já saiu sua pizza “dotô”, ainda nao chegou? (Tam)_Chegou porra nenhuma. Bom, só me resta esperar mesmo, estou morrendo de fome, se nao estivesse com tanta fome você iria acordar amanha com a boca cheia de formiga seu viado.

Tamarindo desliga o telefone na cara do cidadao.

(Piz)_Meu, o cara tá bravo e o pior, esqueci do pedido dele. O que será que ele pediu mesmo? Acho que tinha algo a ver com aliche. Ohh Caspessin! Caspessin! Venha aqui meu filho. O que normalmente você entrega lá na 56? (Cas)_Quase todo dia vai pizza de aliche para lá, vai mandar outra hoje? (Piz)_Entao é isso, Caspessin faz uma de aliche aí bem caprichada, enche essa merda de aliche e voa para a 56. O homem está uma fera.

Pizza feita, Caspessin pega a bicicleta e “dispara” para a delegacia.

(Cas)_Boa noite “dotô”, sua pizza. (Tam)_Porra até que enfim, meu estômago já virou do avesso duas vezes. (Cas)_Nóis capota mas num breca, “dotô”, nossa pizza pode demorar, mas num falha.

Tamarindo abre a tampa da caixa da pizza e o cheiro de aliche bate em suas narinas como um soco de Holyfield. O policial quase cai da cadeira.

(Tam)_Que merda é essa? (Cas)_É uma pizza “dotô”. Pizza esse é o “dotô”, “dotô” essa é a pizza. (Tam)_Você é cheio de graca hein? Vamos ver se você sorrí assim no “xilindró”. (Tam)_Zé!!!! Oh Zé!!!! Mete essa besta naquela cela junto com o “Zeca das Tripa”, vamos ver se amanha ele estará tao comediante assim. Que merda. Zé, cuida da delegacia que eu já volto, vou comer um pastel alí na esquina, joga essa merda de pizza no terreno baldio do outro lado da rua, nao quero nem sentir o cheiro desse aliche maldito.

Caspessin nao entendeu nada mas, naquela noite, teria que dormir com os olhos abertos e de pé. Nao havia espaco para deitar e, caso o fizesse, provavelmente nao sentaria mais por uns 3 meses. Seria uma longa noite.

Demorou, mas o domingo chegou, Tamarindo dormia com os pés sobre a mesa do delegado quando um caroco de mixirica caiu sobre sua cabeca. Dr.Oliveira, com a boca cheia de gomos de mixirica, apresentando certa dificuldade em falar, pergunta: (Dr.O)_Tamarindo? O que você está fazendo na minha mesa? Tire esse tênis de burguês daqui. Vê se pode, um agente de policia com um tênis tao caro. Seu lugar nao é aqui Tamarindo, vá tratar dos negócios do seu pai, isso aqui nao é para você. Como foi o plantao? Alguma ocorrência séria? (Tam)_Séria? Seríssima, meti na jaula um animal que trouxe minha pizza errada, ontem a noite.(Dr.O)_Você prendeu um coitado por ter errado na sua pizza ontem a noite? Você abusa da minha paciência Tamarindo. Mande trazer o rapaz aqui, quero conversar com ele.

Tamarindo busca Caspessin no “xadrez”.(Tam)_Vai lá moleque, o homem quer te ver.

Caspessin, bêbado de sono, chega para conversar com o delegado. (Dr.O) Porque você está sorrindo meu filho? Gostou de passar a noite preso? (Cas)_Nao senhor, é que eu quase escorreguei em uma casca de mixirica. (Dr.O)_Pois é, isso aqui está precisando mesmo de uma limpeza. Rapaz, nao sei lhe explicar, mas gostei de você, você me lembra um “guaxinin” que eu tinha quando crianca. Quer trabalhar aqui?

Caspessin vislumbrou, naquele momento, a oportunidade de crescimento profissional, fechou os olhos e imaginou-se dirigindo em alta velocidade uma viatura policial, viu-se com uma arma na cintura e poder voltar a Santos, poder mostrar a seu pai que tomara rumo na vida.

(Cas)_Aceito sim, aceito sim senhor. Quando receberei minha arma? (Dr.O)_Agora! Tamarindo traz o escovao e o balde para o rapaz, ele será o responsável pela limpeza do local, de hoje em diante o senhor exercerá uma funcao de extrema importância, nao quero ver um palito de dente e nenhuma casca de fruta largada no chao. Tamarindo entrega-lhe seu material de trabalho, olha bem no fundo dos olhos de Caspessin e diz: (Tam)_Hoje comeca o inferno na sua vida, ficarei no seu calcanhar, serei sua sombra, prepare-se.

Caspessin comeca sua carreira na polícia, nao como imaginou, mas o que importa é que seu trabalho é cuidar da limpeza da “área”, assim como qualquer policial. Sua relacao com Tamarindo nao será fácil, mas quem disse que a vida é fácil?


“Tamarindo”, um playboy na policia civil.

Dezembro 17, 2007

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Há quem diga que na cidade de Pirassununga nao há figura igual, amado por uns, odiado por outros. Filho de importante usineiro da regiao nao conheceu o sentido da palavra “LIMITE”. Acreditava que o dinheiro fosse capaz de comprar tudo, desde um simples brinquedo até a dignidade das pessoas, ledo engano, certa feita, após uma briga em um bar, ofendeu um policial e recebeu “ordem de prisao”, achou que tratava-se de mais um policial corrupto, tentou suborná-lo, conheceu a forca que o poder dá às autoridades. Marinho Carbone e Placca, o “Tamarindo”, recebeu o apelido de seus inimigos. Tamarindo é um fruto muito ácido, de gosto desagradável, daí a relacao entre o fruto e Marinho, ele, por sua vez, gostou do apelido com que fez fama. Seu pai, homem justo, imaginava passar a seu filho o controle de seu império, mas Tamarindo nao queria essa vida, queria viver na farra, nunca pensou em trabalho.

Sua prisao durou dois dias, seu pai magoado com sua atitude nao moveu palha para livrá-lo, durante esse período alimentou o sonho de também ser autoridade, já imaginava andar pelas noites de Pirassununga com uma arma na cintura e abusando do poder constituido. Após muita discussao convenceu seu pai que nao seria a pessoa ideal para cuidar dos negócios da família, pediu entao que fizesse valer sua influência e assim fazer parte do corpo de investigadores da Polícia Civil do Estado de Sao Paulo, isso pois sabia que nao teria capacidade de ingressar pelos caminhos tradicionais, o concurso. Mesmo contra sua vontade, seu pai com apenas uma ligacao, conseguiu do governador o acesso à seu filho na polícia. Por alguns meses Tamarindo esteve no grupo de investigadores da 3°Delegacia da cidade de Pirassununga, pediu transferência para Sao Paulo quando soube, que a mando de seu pai, o delegado titular nao deveria enviar Tamarindo a nenhuma diligência de risco. A transferência saiu, imagina-se que, alguém do alto escalao da Polícia Civil, pretendia dar um corretivo ao playboy, sua transferência lhe enviou para trabalhar sob às ordens do mais temido delegado de Sao Paulo, Dr.Oliveira, responsável pela 56°DP. Homem conhecido por sua rigidez e pouca paciência com desvios de caráter.

Quando Tamarindo apresentou-se ao novo posto sua história já se fazia conhecida pelo Dr.Oliveira e, como era de costume, o delegado já demonstra as “normas da casa”. Tamarindo entendeu que nao bastaria ter uma arma na cintura, o verdadeiro dono da autoridade é o delegado e, sendo assim, já almeja o posto. O controle da delegacia seria dele, cedo ou tarde obteria sucesso em sua empreitada, nao descansaria enquanto nao derrubasse Oliveira.

Existe algo que acompanha os covardes, a traicao, à frente de Dr.Oliveira, Tamarindo era um doce de pessoa, amigo para todas as horas, por suas costas trabalhava para sua aposentadoria precoce.

Dr.Oliveira nao confiava em Tamarindo mas nao trazia consigo a malícia necessária para sua defesa. A sorte do delegado estava nas maos do destino, ninguém faz idéia do que uma pessoa como Tamarindo é capaz. O que acontecerá? Deixemos a cargo do destino.


Caspessin

Dezembro 14, 2007

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Maicou Carlos Caspessin dos Santos,  mistura do sangue francês com paraibano.Sua mae, estudante francesa perseguida pelo Estado, após conhecido quebra-quebra no centro de Paris em 68 fugiu para o Brasil, de forma clandestina, em um navio de carga.Seu pai, estivador comum do porto de Santos, mais um migrante do sertao nordestino que encontrou alento e trabalho nas praias paulistas, encontraram-se, como na maioria dos  acasos da vida, quando Marie Louisé Caspessin, ardendo em febre, suplicou ajuda. Josafá Mattos dos Santos largou a caixa que carregava em sua cabeca e prestou-lhe ajuda. Josafá, com Marie em seus bracos, levou-a até seu carro e digiriu-se a Casa de Misericórida de Santos. Foi uma luta, mas a moca restabeleu sua saúde, conseguiu asilo político e casou-se com Josafá.Depois de alguns anos veio o rebento, esperava-se um menino com a beleza e inteligência da mae e a forca física do pai, mas na vida, infelizmente, as coisas nem sempre sao como a gente espera.Viviam em um bairro pobre, na periferia de Santos, apesar das dificuldades sua mae acreditava em um futuro melhor para seu filho, mas o menino nao ajudava, nao por sua culpa pois era assíduo na escola, mas a heranca de seu pai lhe carregava à distância do saber. Seu destino estava tracado. De sua mae só herdou o nome e o gosto pela anarquia. Aqueles que viviam ao seu redor acreditavam que o menino nao chegaria à maioridade, ora pela falta de saúde, ora pelas seguidas detencoes provenientes de brigas, pequenos delitos e envolvimento com drogas.Chegou o dia, contra todas as previsoes a maioridade chegou, mas o que deveria ser festa, foi tragédia. Seu pai, cansado dos problemas causados pelo filho, mostrou-lhe a porta de saída e deu à Caspessin a dura realidade da vida.Caspessin era muito conhecido na cidade de Santos, tanto a polícia como os bandidos o conheciam, entendeu portanto que ali nao poderia permanecer, foi a estacao rodoviária e comprou um bilhete para a capital, resolveu tentar a vida na cidade grande.Chega a Sao Paulo, Estacao Rodoviária do Jabaquara, do outro lado da rua uma pizzaria pequena, dessas que nao atendem no local e apenas entregam em domicílio, atravessou a rua e contou sua história, seu Josivaldo, o proprietário, com pena oferece ao rapaz o emprego de entregador e um quarto para acomodar-se. Caspessin aceita a proposta, a vida lhe dá nova chance.


Dr.Oliveira

Dezembro 10, 2007

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Nasceu pobre, menino franzino com sérios problemas de adaptacao. Conhecido no bairro de Sao Miguel como o filho cacula do Seu Adamastor.  Adamastor da venda, um pobre homem que criou os sete filhos sozinho pois, deixado pela mulher que fugiu com um mercador, manteve sempre a esperanca da volta. 

Dagoberto dos Reis Oliveira, nome pomposo para uma crianca humilde e triste, crianca cansada de tanta moléstia que sofria, tanto de seu pai quanto dos meninos do bairro. Sonhou um dia com sua mae, fato estranho pois nao a conheceu, dizendo a ele que deveria lutar muito, deveria trabalhar cedo e acostumar-se a nao depender de ninguém. Acreditava entao que sua mae já nao mais vivia e, seu espírito, cuidaria de seus passos. Sobre isso ninguém sabe informar pois nunca mais ouviu-se falar de seu paradeiro, de qualquer forma isso deu a Dagoberto a forca que necessitava para a luta que estava por vir.

Com 16 anos conseguiu um emprego em um cartório no centro da cidade, com muita luta trabalhava durante o dia e, após três conducoes, chegava à escola para tentar dias melhores. Fez carreira no cartório, era o melhor carimbador e reconhecedor de firmas que por alí passou, cresceu dentro do negócio e, ao completar 37 anos, gozava de posicao invejável, assim como um velho capataz sua funcao resumia-se em coordenar todos os funcionários do cartório. Sua funcao lhe permitia utilizar a mesa mais cobicada do setor, mesa grande situada no fundo do salao. Com a mordomia Dagoberto criou certos hábitos que marcaram sua imagem, passava o dia comendo “mixirica” e dando ordens, cuspia os carocos em uma lixeira situada a esquerda de sua mesa, volta e meia errava o alvo, durante a noite encomendava por telefone uma grande pizza de aliche. Esse era o seu vício, quase toda noite fazia a mesma encomenda, o dono da pizzaria, por vezes, mandava a pizza sem mesmo esperar a ligacao. Esse estilo de vida fez com que Dagoberto criasse uma barriga que chamava a atencao. Mas Dagoberto queria mais e, por isso, fez um curso de direito por correspondência. Foi o primeiro aluno da turma. Acreditou em sua potencialidade e, ao prestar o concurso da polícia civil, alcancou seu maior sonho, deixou seu bigode crescer e assumiu a cadeira de Delegado Titular da 56°Delegacia de Polícia. Nao seria mais chacote de ninguém, agora é uma “autoridade”. Delegado respeitado e temido no bairro do Jabaquara, sua palavra é lei, sua arma impoe respeito.