Por pouco nao quebrei a cara dela

Dezembro 30, 2008

Namorei uma menina que tinha uma irma que era uma verdadeira imbecil, nao sei mais da namorada e tampouco de sua irma, devem ter internado a infeliz. Bom, vamos a história, sabe como é namorado em comeco de namoro? Pois é, ele nao mexe em nada, nao abre a geladeira, procura ser legal com toda a família, coisas assim, pois é, nao era o meu caso.

O meu namoro já durava quase um ano, o caminho da geladeira já era conhecido e o sofá da sala já tinha minhas marcas ( prefiro nao ser mais explícito em relacao ao sofá ), bom, vamos ao que interessa, estava eu, sozinho na sala, assistindo a final do Brasileirao 1995.

A namorada estava passando roupa na lavanderia, toda a família estava fora, nao saíram juntos mas nao estavam na casa. Vale lembrar que a final deste campeonato foi entre Santos-SP e Botafogo-RJ, nao sou torcedor de nenhum deles mas, como gosto de futebol, nao perderia esse jogo por nada.

Em um determinado momento a tal irma chega e, ao entrar na sala, desliga a televisao como se eu nao estivesse lá e vai para seu quarto, fechando a porta.

Como eu já estava acostumado com as facanhas da maluca, simplesmente levantei e liguei novamente o aparelho, voltei para o sofá. Abre-se a porta do quarto e sai de lá uma infeliz transtornada, desliga novamente a televisao e, sem olhar para mim, diz em alto e bom som:_A casa é minha e nao quero televisao ligada.

Apesar de nao ter sangue de barata mas ainda consciente do fato de nao estar em minha casa, nao disse nada, me levantei e liguei novamente a televisao, só que desta vez nao sai da frente do aparelho. Nao preciso dizer que abriu-se novamente a porta do quarto e a infeliz, desconhecendo o perigo que corria, tentou desligar novamente o aparelho. Ocorre que desta vez nao permiti, fiquei entre ela e o aparelho, passou para o outro lado e mesmo assim nao conseguia alcancar, aí resolveu gritar:_Saia da minha frente, você nao mora aqui, eu quero desligar!!!!

Eu, praticamente um lorde inglês, virei para ela e disse:_Nao me importa que você mora aqui, mas você nao vai desligar essa MERDA!!! No alto dos meus 26 anos, muita saúde e pouca experiência, comecei a andar em sua direcao, ela por sua vez andava para trás até cair sentada no sofá, fechei a mao direita, botei-a bem em frente do seu nariz e disse:_Eu vou QUEBRAR A SUA CARA! De hoje você nao me escapa, suma da minha frente antes que eu lhe divida em duas.

Lógicamente essa conversa nao foi muito amistosa e toda a minha elegância já havia me deixado. Foi por pouco, neste momento aparece na sala a família inteira, namorada, pai e mae da mesma, a infeliz quando viu seus pais na sala saiu correndo chorando, bateu a porta do quarto como se eu realmente tivesse lhe dado o tao merecido MURRO.

Pedi desculpas aos pais, peguei as minhas coisas e fui embora, namoro terminado.

Nao sou de bater em mulher, nao faz parte do meu caráter, mas aquela menina bem que merecia perder uns três dentes na minha mao. Mas felizmente me contive e nada aconteceu.


O japonês e a sopa de cebola.

Setembro 8, 2008

Nao me lembro exatamente como tudo aconteceu, mas a 33 anos atrás, mais precisamente no início do ano letivo de 1975, estávamos no pré-primário, período escolar onde inicia-se o aprendizado da escrita e leitura. Conforme solicitacao da “Tia”, assim chamávamos as professoras, deveríamos todos colocar nossos cadernos, encapados com celofane vermelho, sobre a mesa, assim foi feito, um a um, caderno sobre caderno, tudo ocorria dentro da maior normalidade quando um japonês resolveu levantar de sua cadeira, caminhar à “torre de cadernos” e deixar o seu, nao contente com o feito resolve vomitar sobre a chamada “torre” toda a sopa que sua mae lhe fez ingerir horas antes. Cabe algumas reflexoes sobre essa questao:

1) Quem era esse japonês? Nunca soube seu nome e jamais soube de seu paradeiro. Vale lembrar o contexto histórico que vivíamos. Víviamos em plena ditadura militar, o presidente do Brasil chamava-se Ernesto Geisel, quando pequeno, para mim, ele era apenas um bom velhinho, posteriormente soube que, de bom velhinho, ele nao tinha nada. Será que aquele japonês foi preso pelo regime? Será que aquele menino era comunista? Será que realmente ele era japonês? Sim, pois se até hoje nao sei dizer se um japonês é coreano ou chinês, como saberia na época? Dizem que tem muito japonês na china e que nunca se viu tanto chinês no Japao, para mim é tudo a mesma coisa. Bom, voltando ao assunto, o que será que aconteceu com aquele japonês?

2) Naquele período estudávamos à tarde, sendo assim entrávamos na escola logo após o almoco, qual é a razao do infeliz ter almocado sopa de cebola? O correto nao seria tomar sopa no jantar? Estávamos em pleno verao, porque da sopa? Nao consta nos autos do processo que tal remelento oriental possuía alguma doenca, será entao que tudo foi intencional? Nascia aí a figura do “homem bomba”? Acredito, realmente, que esse menino e sua família foram precursores da legiao de homens bomba que temos acerca da Faixa de Gaza. Me parece que existem fotos suas em todas as casas palestinas, é adorado, é, praticamente, um Deus.

3) Porque ninguém sabia o nome dele? Porque ele fez questao absoluta de passar despercebido? Conhecíamos todos, sabíamos o nome de todos, naquele momento já tínhamos um apelido para cada um naquela sala, mas porque o japonês nao foi “abatido” antes de conseguir seu feito? Isso mostra que nosso sistema de seguranca nacional da escola estava com problemas sérios, talvez seja por isso que a escola foi demolida.

Bom, peco ajuda à comunidade, para tentarmos entender de onde veio e para onde foi o tal “japonês da sopa de cebola”, pois o meu caderno e meus deveres eu sei onde foi parar, no varal para secar e deixar cair toda aquela cebolada.


Aos meus amigos de 40.

Setembro 5, 2008

Meus amigos, meus irmaos, meus colegas de classe.

Este ano é, como muitos foram, um ano muito especial, tenho três amigos, praticamente irmaos, que chegam a idade dos 40 anos. Quem poderia imaginar que chegaríamos a essa idade? Como nos parecia distante os 40 anos, como nos parecia o fim da vida os 40 anos. Nos conhecemos desde pequenos, cada um conhece a história de vida dos outros, já fizemos muitas coisas juntas e, infelizmente, nao podemos estar juntos com tanta frequência como gostaríamos.

Me lembro de nossa viagem para o Sul, eu, Farid, Guilherme e Joao Gabriel, jovens de 18 anos recém feitos, enchemos a velha Parati e descemos o país, hoje, talvez, nao teria coragem de fazê-la. Vale lembrar que o Joao sumiu com meu cadeado e nunca mais devolveu. É brincadeira Johnny Gabriel. Passamos bons dias por lá.

Quem nao se lembra das nossas viagens no sítio do avô do Gema? Ainda menores de idade, íamos de trem de subúrbio para Campo Limpo Paulista. Gema, pseudônimo, hoje um político importante, nao vou nem citar seu nome para nao comprometê-lo, em sua juventude petista ferrenho, hoje se bandiou para os “tucanos”. A vida é assim mesmo, na adolescência somos todos, excecao feita ao Farid que sempre foi um “playboy”, uns “Che Guevara”, hoje acreditamos que isso tudo era coisa de adolescentes mesmo.

Depois do Sul viajamos para Ubatuba, Farid com a Capelletti, Silvio com a Anete e eu sozinho, foi quando eu vi a amiga da Capelletti nua, nao me lembro direito do nome dela, bem, mas isso nao vem ao caso, a menina volta da praia e resolve tomar banho nua no chuveiro externo da casa, eu vi e torci para que nao tivesse visto, antes que alguém diga alguma coisa, nao rolou nada.

Os anos passaram, ouvimos muitos “Faridao”, muitos “Nao posso ter nada mesmo”, muitos “Pai, olha, nao estou bêbado nao viu!!”, coisas assim. Foram tempos maravilhosos, tempos que nao voltam mais.

Mas a vida passa, a idade chega, casamos todos, separamos quase todos, casamos de novo ( eu e J.Gabriel ), tivemos filhos e o destino foi nos separando.

Separacao física sim, mas saibam que penso sempre em todos vocês.

Penso nas nossas bebedeiras na pizzaria Capuchino, nas idas ao “UP&Down”, nas nossas viagens ao Guarujá, etc…

Guilherme, J.Gabriel, Farid, Silvio, Gema e eu, a essa turma juntaram-se muitos, muitos já se foram, outros estao por aí.

Meus amigos, parabéns pelos 40 ( Guilherme, Farid e J.Gabriel ), atingiram o que parecia inatingível, que tenhamos saúde para podermos falar dos nossos 50 anos, dos nossos 60 anos e por aí vai.

Agora, para nao dizer que nao deixei minha marca, “CÊS TAO VÉIO PARA CARALHO HEIN?”

Eu e o Silvio iniciamos o ano com 38 e vocês já vao fazer 40? Essa é a matemática que interessa.

Beijos para vocês meus irmaos, gostaria de estar presente nesta data tao importante, afinal nao os verei fazendo 40 anos de novo.

Um grande beijo para todos vocês.


Retiro espiritual.

Janeiro 25, 2008

Devia ter uns 13 ou 14 anos, um japonês, filho de uma amiga “carola” de minha mae, batia todo dia na minha porta querendo me convencer a ir à um “retiro espiritual”. Já de saco cheio resolvo dar ouvidos ao infeliz, disse a ele:_Eu vou, mas nao tenho um “puto” furado para pagar esse negócio. Aí ele me disse:_ Nao esquenta nao, eu lhe empresto e depois você me paga.

Como pagar se nao tinha de onde tirar? Mas já que ele nao iria sossegar enquanto eu nao fosse, resolvi aceitar.

O lugar era uma maravilha, uma grande fazenda com campo de futebol, piscina, cavalos, quadra de tênis, etc…

Pura farsa, a fazenda tinha tudo mas nao poderíamos utilizá-la, a cada 15 minutos tinha algo religioso na agenda, ora uma missa, ora uma palestra, mas futebol que é bom, nada.

Estava cansado, já de saco cheio e totalmente arrependido, como é que fui cair nessa? E olha que ainda nao passamos do primeiro dia. Vale citar que o retiro seria apenas de dois dias, sábado e domingo, mas para mim parecia que estava por ali fazia uns três anos, bom, quando estávamos perto do final da tarde um garoto aparece na porta do meu alojamento e avisa que faltava apenas 15 minutos para minha confissao, nao entendi e perguntei:_Falta o quê? O garoto respondeu:_Falta 15 minutos para sua confissao, o padre já está esperando._Mas eu nao marquei nenhuma confissao._Mas nós marcamos para você, afinal você é novo por aqui.

Era só o que me faltava, uma das coisas que odeio nessa vida é que tomem decisoes por mim, mas vou ter que enfrentar mais essa na vida. Cheguei na sala do padre e perguntei:_Nao tem confessionário? Aí o padre, na maior tranquilidade me diz:_Nao meu filho, nao precisa, assim poderemos conversar com mais tranquilidade.

(Pad)_Bom, pode dizer.

(Eu)_Dizer o quê?

(Pad)_Pode me contar seus pecados.

(Eu)_Pecado? Agora nao me lembro de nenhum nao, padre.

O padre compreendeu que aquela situacao nao estava nada confortável para mim e, entao, teve uma grande idéia.

(Pad)_Bom, meu filho, vamos fazer assim, eu lhe pergunto e você me responde, está bom assim? Quando foi a última vez que você se confessou?

(Eu)_Nossa, acho que faz uns seis anos.

(Pad)_Mas meu filho, hoje na missa da manha você comungou, nao pode comungar sem ter confessado.

(Eu)_Sério? Nao fazia a menor idéia. Bom, entao posso embora?

(Pad)_Nao meu filho, se você nao sabia, nao é pecado.

(Eu )_Bom, entao vamos lá, o que o senhor quer saber?

(Pad)_Bom, você tem algo que gostaria de contar? Algo que você acredita nao estar correto?

(Eu)_Bom seu padre, errado, errado, nao sei, mas vou contar algo que talvez lhe interesse. Lá em casa tem duas malas de viagem, malas grandes, cheias de revistas de mulher pelada.

(Pad)_Mas sao suas as revistas?

(Eu)_Nao, sao dos meus irmaos.

O padre entao fez a pergunta que jamais deveria ter feito.

(Pad)_Mas o que você faz com essas revistas, meu filho?

Eu estava sentado à frente do religioso, em um sofá daqueles que afunda quando você senta, depois da pergunta do padre me posicionei mais à frente, coloquei meus cotovelos sobre os joelhos, a mao direita foi ao queixo, olhei para um lado, olhei para o outro e respondi:_Bom seu padre, veja bem, essas revistas tem sua funcao.

(Pad)_Mas meu filho, você nao respondeu, você se masturba com essas revistas?

(Eu)_Direto seu padre! Todo dia.

(Pad)_Meu filho, você precisa se desfazer dessas revistas.

(Eu)_Nao posso seu padre, elas nao sao minhas, sao dos meus irmaos.

(Pad)_Meu filho, para que eu possa lhe absolver, preciso que você se arrependa, você se arrepende?

Se eu fosse me arrepender sobre isso seria o cara mais arrependido do mundo, se isso me fizesse queimar no inferno, esturricado estaria.

Bom, voltando ao assunto:(Eu)_Bom, seu padre, veja bem…Arrependido, arrependido, nao sei se é o caso, mas como se eu nao me arrepender nao poderei receber sua absolvicao, me considero arrependido.

Foi assim que a “Porteira do céu” se abriu para mim, troquei três “Aves Maria” e um punhado de “Pai nosso” por um contêiner LOTADO de pecados. Para a “Santa Igreja”, um filho perdido voltava para baixo de suas asas. O padre me liberou, passei um domingo dos “Infernos” e finalmente voltei para casa.

Retiro espiritual, nunca mais, o japonês ainda apareceu para me cobrar, dei-lhe como forma de pagamento um joguinho eletrônico quebrado, o infeliz para nao ficar no total prejuízo aceitou. Nunca mais apareceu, para alguma coisa esse retiro serviu.